Estudar os indígenas ou estudar com os indígenas?

Considerações sobre uma prática científica menos colonial

Autores/as

  • João Gabriel da Silva Ascenso Programa de Pós-graduação em História Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGHIS-UFRJ)

DOI:

https://doi.org/10.46752/anphlac.40.2025.4263

Palabras clave:

intelectuais indígenas, cosmopolítica, paz provisória

Resumen

Esse artigo parte de um mapeamento da diversidade de críticas que a epistemologia eurocêntrica sofreu da segunda metade do século XX em diante, bem como das teorizações que foram desenvolvidas a partir dessas críticas, para refletir sobre as respostas que foram dadas por vozes latino-americanas à violência colonial. Tais vozes desestruturam tanto o princípio do progresso e do fim da história quanto partições importantes no cânone do pensamento ocidental: natureza/cultura, razão/sensibilidade, civilização/barbárie, sujeito/objeto. A partir daí, o diálogo com intelectuais indígenas (Ailton Krenak, Davi Kopenawa) e de ascendência indígena (Gloria Anzaldúa, Silvia Rivera Cusicanqui) nos permite pensar uma “dialética sem síntese” e a busca por formas de diplomacia que não concorram para uma “paz perpétua”, mas para “pazes provisórias”, articulando humanos e não humanos. A reflexão vai em direção à proposta de quatro caminhos a partir dos quais podemos pensar uma prática científica menos colonial.

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Publicado

2026-01-14

Cómo citar

Ascenso, J. G. da S. (2026). Estudar os indígenas ou estudar com os indígenas? Considerações sobre uma prática científica menos colonial. Revista Eletrônica Da ANPHLAC, 25(40), 514–551. https://doi.org/10.46752/anphlac.40.2025.4263