Estudar os indígenas ou estudar com os indígenas?
Considerações sobre uma prática científica menos colonial
DOI:
https://doi.org/10.46752/anphlac.40.2025.4263Palabras clave:
intelectuais indígenas, cosmopolítica, paz provisóriaResumen
Esse artigo parte de um mapeamento da diversidade de críticas que a epistemologia eurocêntrica sofreu da segunda metade do século XX em diante, bem como das teorizações que foram desenvolvidas a partir dessas críticas, para refletir sobre as respostas que foram dadas por vozes latino-americanas à violência colonial. Tais vozes desestruturam tanto o princípio do progresso e do fim da história quanto partições importantes no cânone do pensamento ocidental: natureza/cultura, razão/sensibilidade, civilização/barbárie, sujeito/objeto. A partir daí, o diálogo com intelectuais indígenas (Ailton Krenak, Davi Kopenawa) e de ascendência indígena (Gloria Anzaldúa, Silvia Rivera Cusicanqui) nos permite pensar uma “dialética sem síntese” e a busca por formas de diplomacia que não concorram para uma “paz perpétua”, mas para “pazes provisórias”, articulando humanos e não humanos. A reflexão vai em direção à proposta de quatro caminhos a partir dos quais podemos pensar uma prática científica menos colonial.
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