Convocatória para dossiê: América Latina-Moçambique/Moçambique-América Latina

2020-10-04

Organizadores: Priscila Dorella (Universidade Federal de Viçosa) e Matheus Serva Pereira (Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa)

Data limite: 31/07/2021

Uma pauta importante das lutas anticoloniais contemporâneas está no esforço de desracializar a História da África, rechaçar sua exotização e compreender o continente como parte integrante de uma história global. Nessa direção, os estudos desenvolvidos na América Latina sobre a África cresceram exponencialmente nas últimas décadas, ampliando os interesses para além das experiências de escravização. Em uma perspectiva a partir da África essa ampliação também pode ser identificada, sobretudo por meio de um amparo intelectual de expansão das fronteiras de pensamento a partir de perspectivas pós-coloniais que advogam outras direções que não apenas a Europa e os Estados Unidos. Em 2019, o Departamento de História da Universidade Federal de Viçosa (DHI-UFV), no Brasil, estabeleceu um convênio com a Universidade Eduardo Mondlane (UEM), em Moçambique, abrindo possibilidades para um importante intercâmbio acadêmico que fortalece as conexões Sul-Sul global.

Moçambique conquistou sua independência em 1975, após anos de luta armada contra o controle colonial português, por meio de um processo influenciado, entre outras experiências, pelas revoluções latino-americanas da segunda metade do século XX. A posição geográfica de Moçambique, assim como suas diversas correntes intelectuais, suas práticas artísticas e desafios econômicos, obriga aos historiadores moçambicanos estabelecerem uma constante troca de escalas entre o local, o nacional e o global. O caminhar pelas ruas atuais da capital do país, Maputo, nos leva facilmente a encarar essa questão. Suas ruas foram ganhando novos nomes após a independência, com o objetivo de homenagear importantes figuras das lutas das esquerdas e, consequentemente, latino-americana, como Che Guevara, Salvador Allende, Augusto Cesar Sandino, etc.

Na América Latina, infelizmente continua difusa a visão sobre Moçambique. No Brasil, em específico, alguns setores econômicos associados a práticas predatórias de extração de riquezas do solo moçambicano perpetuam na contemporaneidade visões estereotipadas sobre os africanos que se assemelha ao olhar colonial português de meados do século XIX e XX. Talvez seja no campo dos trabalhos literários, sobretudo pela divulgação de autores como Mia Couto, Paulina Chiziane e, mais recentemente, Ungulani Ba Ka Khosa, que um novo saber sobre a história e cultura moçambicana esteja ganhando novos significados na América Latina.

Mas ainda há muito por conhecer! Nosso intuito é o de reunir novos trabalhos historiográficos de pesquisadores moçambicanos que estão pensando a América Latina e de latino-americanos interessados em Moçambique, que estabeleçam comparações e/ou aproximações entre ambos os espaços geográficos e suas experiências sociais, abrindo horizontes de mútuo conhecimento em uma perspectiva cronológica abrangente e instigante para que esse passado conectado viva nas nossas histórias.

 

Dossier América Latina - Mozambique / Mozambique-América Latina

Priscila Dorella (Universidade Federal de Viçosa) y Matheus Serva Pereira (Instituto de Ciências Socials da Universidade de Lisboa)

Plazo para envío: 31/07/2021

 Una agenda importante de las luchas anticoloniales contemporáneas es el esfuerzo por desracializar la historia africana, rechazar su exotización y comprender al continente como parte integral de la historia global. En esta dirección, los estudios desarrollados en América Latina sobre África han crecido exponencialmente en las últimas décadas, expandiendo intereses más allá de las experiencias de esclavitud. Desde una perspectiva africana, esta expansión también se puede identificar, sobre todo en un esfuerzo intelectual por expandir las fronteras del pensamiento desde perspectivas poscoloniales que abogan por direcciones distintas a Europa y Estados Unidos. En 2019, el Departamento de Historia de la Universidad Federal de Viçosa (DHI-UFV), en Brasil, estableció un convenio con la Universidad Eduardo Mondlane (UEM), en Mozambique, abriendo posibilidades para un importante intercambio académico que fortalezca las conexiones Sur-Sur global.

               Mozambique se independizó en 1975, después de años de lucha armada contra el control colonial portugués, a través de un proceso influenciado, entre otras experiencias, por las revoluciones latinoamericanas de la segunda mitad del siglo XX. La posición geográfica de Mozambique, así como sus diversas corrientes intelectuales, sus prácticas artísticas y desafíos económicos, obliga a los investigadores del pasado mozambiqueño a establecer un intercambio constante de escalas entre lo local, lo nacional y lo global. Caminar hoy por las calles de la capital del país, Maputo, nos lleva fácilmente a enfrentar este tema. A partir de la independencia, ellas cobraron nuevos nombres, con el objetivo de rendir homenaje a importantes figuras de las luchas de la izquierda y, en consecuencia, de América Latina, como el Che Guevara, Salvador Allende, Augusto Cesar Sandino, etc.

               En América Latina, lamentablemente, la visión sobre Mozambique sigue siendo difusa. Particularmente en Brasil, algunos sectores económicos asociados con prácticas depredadoras de extracción de riqueza del suelo mozambiqueño perpetúan en la época contemporánea visiones estereotipadas sobre los africanos que se asemejan al aspecto colonial portugués de mediados del siglo XIX y XX. Quizás sea en el campo de las obras literarias, principalmente por la difusión de autores como Mia Couto, Paulina Chiziane y, más recientemente, Ungulani Ba Ka Khosa, que un nuevo conocimiento sobre la historia y la cultura mozambiqueña está cobrando nuevos significados en América Latina.

               ¡Sin embargo, aún queda mucho por saber! Nuestro objetivo es reunir nuevos trabajos historiográficos de investigadores mozambiqueños que  reflexionan sobre América Latina y latinoamericanos interesados ​​en Mozambique, que establecen comparaciones y / o aproximaciones entre ambos espacios geográficos y sus experiencias sociales, abriendo horizontes de conocimiento mutuo en una perspectiva cronológica integral que invita a la reflexión para que este pasado conectado viva en nuestras historias.

 

Call for papers: Latin America and Mozambique / Mozambique and Latin America

Matheus Serva Pereira (Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa) and Priscila Dorella (Universidade Federal de Viçosa)

Deadline: July 31th, 2021

An important agenda of contemporary anti-colonial struggles is based on the rejection of exoticization of African past and present, as also an effort to integrate the continent as part of the global history. At the same time, the studies developed in Latin America about African history have grown exponentially in the XXI century, going beyond the important fields of slavery societies in Americas and afro-diasporic experiences. From an African perspective, this expansion can also be identified, especially based on a critic of Eurocentric perspectives and the search for new intellectual dialogues. Following this processes, in 2019, the History Department of the Federal University of Viçosa (DHI-UFV), in Brazil, established an partnership with the Eduardo Mondlane University, in Maputo, Mozambique, opening possibilities for an important academic exchange in strengthening South-South connections. 

Mozambique conquered its independence in 1975, after years of armed struggle against Portuguese colonial power. Like other processes, such the Angolan case, the Mozambican fight was influenced by the Latin American revolutions, especially those occurred during the second half of the 20th century. The geographical position of Mozambique, as well as your intellectual, social, cultural, and economical diversity, obliges researchers from the Mozambican past to produce their works in a constant exchange of scales between the local, the national and the global. A simple walking through the current streets of country’s capital, Maputo, show us this question. Its streets gained new names after independence. Che Guevara, Salvador Allende, Augusto Cesar Sandino, are some of the important left political figures that entitle the streets names of Maputo.

In Latin America, unfortunately, Mozambique history continues to be unknown. In Brazil, despite the important Social Scientists and Historian works produced in the last 20 years, some Brazilian companies that explore Mozambican soil perpetuate, in contemporary times, stereotyped views about Africans that resemble the racist Portuguese colonial ideas. Perhaps it is in the field of literature, specially due to the dissemination of authors such as Mia Couto, Paulina Chiziane, and, more recently, Ungulani Ba KA Khosa, that a new knowledge about Mozambican history, society and culture is advancing in Latin America.

Our aim with the Special Issue is to bring together new works by Mozambican researchers about Latin America and Latin Americans researchers interested in Mozambique. Particular attention will be paid to papers that make comparisons and/or approximations between both geographic spaces and their social experiences. The idea is to open horizons of mutual knowledges in a broad and instigating chronological perspective.